15 de fev de 2016

Retrospectiva Campanha do Laço Branco em 2015

Em 2015, um dos grandes destaques da Campanha do Laço Branco foi a parceria com o Núcleo de Experimentações em Teatro do Oprimido - NEXTO na encenação Las Mariposas.

Relembre as informações sobre a Campanha entre novembro e dezembro de 2015 


Arte pelo fim da violência contra a mulher
Campanha do Laço Branco, do Instituto Papai, promoveu circulação do espetáculo Las Mariposas

Equipe do espetáculo Las Mariposas na Campanha do Laço Branco.
Foto: Nana Milet
A Campanha 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres é uma importante mobilização mundial realizada por movimentos sociais, diversos atores da sociedade civil e do poder público para combater a violência. Integrando a luta dos 16 dias de ativismo (iniciada em 25 de novembro), a Campanha Laço Branco: homens pelo fim da violência contra a mulher, nacionalmente conhecida e promovida pelo Instituto PAPAI e pelo GEMA/UFPE, em 2015 fez parceria com o espetáculo teatral Las Mariposas, realizado pelo NEXTO – Núcleo de Experimentações em Teatro do Oprimido, e as apresentações foram parte das ações da campanha em 2015. Las Mariposas percorreu quatro comunidades de Recife e Olinda nos dias 11, 12, 14 e 15 de dezembro.
Com o fim de fortalecer o enfrentamento da violência de gênero, desde o ano de 1999, o Instituto Papai é responsável, juntamente com o GEMA/UFPE (Grupo de Estudos em Gênero e Masculinidades da UFPE) pela Campanha Brasileira do Laço Branco: Homens pelo fim da violência contra a mulher. Suas ações ocorrem durante o ano inteiro, tendo seu ponto alto, simbolicamente, o dia 06 de dezembro, dia em que ocorreu o episódio que ficou conhecido mundialmente como o Massacre de Montreal, evento que incentivou a criação da campanha. A consolidação das ações do Laço Branco fez com que, em 2007, o governo federal instituísse em lei o dia 06 de dezembro (Lei 11.489/07) como o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres (mais informações acessar: www.lacobranco.org.br).
Já o espetáculo Las Mariposas surgiu como fruto do desejo da atriz Andrea Veruska e do ator Wagner Montenegro de retratar a situação de violência contra as mulheres em Pernambuco. No mês de outubro, o espetáculo percorreu oito comunidades do Recife, algumas delas registram os maiores índices de violência contra a mulher da Região Metropolitana. A ideia da campanha do Laço Branco deste ano é utilizar o espetáculo como vetor de sensibilização das pessoas e, após cada apresentação, realizar uma roda de diálogos, momento em que o público participará de uma conversa sobre o tema e a campanha. O espetáculo será apresentado nas ruas, praças e espaços urbanos das comunidades dos Coelhos, Chão de Estrelas, Cidade Universitária e Várzea, no Recife; Santa Tereza, em Olinda e também na cidade de Ipojuca, sempre com garantia de acesso gratuito à população.
Andréa Veruska em cena no espetáculo. Foto: Pri Câmara
O nome do espetáculo faz referência às irmãs dominicanas Maria Tereza, Pátria e Minerva, conhecidas como Las Mariposas, que foram mortas em 25 de novembro de 1960 pelo regime ditatorial da República Dominicana por buscarem uma vida com mais igualdade entre homens e mulheres. O dia da morte de Las Mariposas se tornou a data mundial que marca o início dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher. O tema da violência contra a mulher sempre esteve muito presente ao longo dos mais de 11 anos de experiência dos atores com o Teatro do Oprimido, método teatral criado pelo brasileiro Augusto Boal.  Como disse Andrea Veruska, “a violência contra a mulher sempre foi um problema recorrente nos diversos grupos e nos mais diferentes lugares que a gente atuava, sobretudo nos grupos que trabalhamos nas cidades do interior de Pernambuco. Tínhamos também o conhecimento de casos de violência com mulheres muito próximas e a gente sentia a urgência de falar sobre esse tema.” Para Wagner Montenegro, educador do Instituto PAPAI e ator do espetáculo, “a parceria do NEXTO com o PAPAI só potencializa nosso desejo de mudar essa realidade que oprime as mulheres diariamente, da hora que acorda à hora de dormir. Levar o espetáculo e promover rodas de diálogos sobre o tema nos torna mais fortes na busca por quebrar o silêncio e conversar sobre esse problema grave que machuca as nossas vidas.

Dados da violência - De acordo com novos dados pesquisados no ano de 2013 e lançados neste ano, através da publicação denominada Mapa da violência 2015 – Homicídios de Mulheres no Brasil, o país ocupa o 5º lugar no ranking mundial de países com mais homicídios de mulheres. Pernambuco ocupa a 15ª posição entre os estados, com uma queda de 15,6 pontos percentuais. Entretanto, a taxa de Pernambuco supera a media nacional. Entre as capitais, Recife teve uma diminuição de 39,8% da taxa de feminicídio e agora passou da 6ª capital mais violenta para 21º posição no ranking entre as capitais.“Isso não significa que estamos com uma boa realidade, pois os índices de violência ainda são grandes. Por isso, campanhas como essa são de extrema importância, mesmo porque estamos falando para os homens, em especial àqueles que não cometem esse tipo de violência, dizendo e convidando-os a se envolverem ativamente pelo fim da violência contra a mulher. Não basta não cometer essa violência, é necessário se colocar publicamente contra ela. Só assim conseguiremos fazer com que a voz desses homens,  que são contrários à violência contra a mulher, se torne mais ativa enquanto estratégia de prevenção à violência de gênero. Se os homens são parte do problema, eles também devem ser parte da solução!” diz Sirley Vieira, Coordenador Executivo do Instituto PAPAI e Coordenador da campanha do Laço Branco. Para Germana Nascimento, Educadora do Instituto Papai, “essa campanha é de fundamental importância por incentivar as pessoas a saírem de suas zonas de conforto e se solidarizarem com a dor alheia – pelo fim da violência contra a mulher.” Esse tipo de violência é umas das principais causas de morte feminina no Brasil. No país, a cada quatro minutos uma mulher é vítima de agressão e nos últimos dez anos 43 mil mulheres foram assassinadas.

Oficinas para compartilhar histórias – O espetáculo Las Mariposas foi construído a partir de histórias reais. Mulheres compartilharam suas histórias de violência com o NEXTO através de oficinas em que foi utilizada a técnica "a imagem em três tempos", da Estética do Oprimido, que é uma das vertentes do Teatro do Oprimido. Na oficina, as mulheres contaram, em imagens em telas, as suas histórias. As produções resultantes da oficina compõem o cenário de Las Mariposas, os quadros pintados por elas se transformaram em almofadas para o público sentar e assistir ao espetáculo. A construção da dramaturgia se fez a partir da escuta de mulheres que sofreram violência; através de entrevistas, o texto para o espetáculo foi criado.

16 dias de ativismo: A Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres é uma mobilização anual, praticada simultaneamente por diversos atores da sociedade civil e poder público engajados nesse enfrentamento. Desde sua primeira edição, em 1991, já conquistou a adesão de cerca de 160 países. Mundialmente, a Campanha se inicia em 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, e vai até 10 de dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos, passando pelo 6 de dezembro, que é o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Disponível  em: http://www.compromissoeatitude.org.br/16-dias-de-ativismo-uma-mobilizacao-mundial-pelo-fim-da-violencia-de-genero/

Campanha do Laço Branco - A Campanha Brasileira do Laço Branco tem por objetivo sensibilizar, envolver e mobilizar os homens em ações pelo fim de todas as formas de violência contra a mulher, atuando em consonância com as ações dos movimentos de mulheres, feministas e de outros movimentos organizados em prol da equidade de gênero e justiça social.
Em linhas gerais, são desenvolvidas estratégias de comunicação e ação política voltadas a homens de diferentes idades e em diferentes contextos, bem como palestras, ações comunitárias e distribuição de material alusivo à campanha em atos públicos. Intervimos também em processos de formulação e monitoramento de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher, na forma de controle social sobre as ações do Estado. Disponível em: http://lacobrancobrasil.blogspot.com.br/p/blog-page.html

Ficha técnica do espetáculo:
Dramaturgia e pesquisa: Andréa Veruska, Wagner Montenegro e Maria Agrelli
Revisão de texto: Heber Costa
Elenco: Andréa Veruska e Wagner Montenegro
Encenação: Maria Agrelli
Direção de atores: Ceronha Pontes
Direção de arte: Marcondes Lima
Aderecista: Álcio Lins
Sonoplastia: Nana Milet
Operação e execução de trilha: Nana Milet e Mek Natividade
Iluminação: Eron Villar
Operação de luz: Rodrigo Oliveira e Eron Villar (Villa Lux)
Coreografia: María Laura Herrero
Editora gráfica: Iara Sales
Cenotécnico: Gustavo Teixeira
Costureira: Maria Lima
Técnicos de montagem: Diógenes D. Lima e Gaguinho
Registro fotográfico: Sirley Vieira, Rafael Acioly e Priscila Câmara
Produção de vídeo: William Oliveira | 7ª Arte Cinema
Produção executiva: Luciana Barbosa
Assessoria de imprensa: Nice Lima | Ritmo Comunicação
Contabilidade: Hypólito Patzdorf

Campanha do Laço Branco com circulação do espetáculo Las Mariposas foi realizada nas seguintes datas:
11/dez – Centro de Artes e Comunicação – UFPE, às 18h
12/dez - Chão de Estrelas - Daruê Malungo, Recife, às 19h
14/dez - LBV – Coelhos, Recife, às 15h
15/12 - Ilha do Maruim, Olinda (Em frente ao PSF), às 18h




Campanha do Laço Branco foi debatida no II Congresso Internacional de Política de Segurança Pública, Violências e Direitos Humanos



O Coordenador Executivo do Instituto Papai, Sirley Vieira, participou da Mesa Temática Violências de gênero e masculinidade no dia 24 de novembro, no II Congresso Internacional de Política de Segurança Pública, Violências e Direitos Humanos, organizado na Universidade de Vila Velha-ES. A mesa contou com participações de João José Barbosa Sana (Coordenação do Fórum de Homens Capixabas pelo Fim da Violência Contra as Mulheres); Edna Calabrez Martins (Fórum de Mulheres do Espirito Santo); Fernanda Carvalho de Souza Braumer (Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Espírito Santo); Roberto Amado (Instituto de Estudos da Religião (ISER) - RJ) e moderação da  Profa. Dra. Maria Regina Lopes Gomes (UVV). A ideia da Mesa foi discutir a importância da participação dos homens na mobilização pelo fim da violência contra as mulheres.
Sirley Vieira falou sobre a Campanha do Laço Branco e trabalhos desenvolvidos com homens pelo Instituto Papai.
Informações completas sobre o evento estão disponíveis em seminariosegpubuvv.wix.com/congressointer


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